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17/12/2007

[771] Pausa na Pausa

Venho aqui fazer uma pausa no banho maria para partilhar convosco algo que li:

Esta coisa de gostar de alguém não é para todos [...]
[...] Daí existirem aquelas pessoas que insistem em afirmar que só se apaixonam pelas pessoas erradas. Mentira. Pensar dessa forma é que é errado, porque o certo é perceber que se nós escolhemos aquela pessoa foi porque já sabíamos que não íamos a lado nenhum e que – aqui entre nós – é até um alívio não dar em nada porque ia ser uma chatice e estava-se mesmo a ver que ia dar nisto. [...]
[...] Saber quando gostam de nós? Mas com mil raios, isso é o mais fácil porque quando se gosta de alguém não há desculpas nem “ ai que amanhã não dá porque tenho muito trabalho”, nem “ ai que hoje era bom mas tenho outra coisa combinada” nem “ ai que não vi a tua chamada não atendida”.

Quando se gosta de alguém – mas a sério, que é disto que falamos – não há nada mais importante do que essa outra pessoa. E sendo assim, não há sms que não se receba porque possivelmente não vimos, porque se calhar estava a passar num sítio sem rede, porque a minha amiga não me deu o recado, porque não percebi que querias estar comigo, porque recebi as flores mas pensava não serem para mim, porque não estava em casa quando tocaste.

Quando se gosta de alguém temos sempre rede, nunca falha a bateria, nunca nada nos impede de nos vermos e nem de nos encontrarmos no meio de uma multidão de gente. Quando se gosta de alguém não respondemos a uma mensagem só no final do dia, não temos acidentes de carro, nem nunca os nossos pais se sentiram mal a ponto de nos impossibilitarem o nosso encontro. Quando se gosta de alguém, ouvimos sempre o telefone, a campaínha da porta, lemos sempre a mensagem que nos deixaram no vidro embaciado do carro desse Inverno rigoroso. Quando se gosta de alguém – e estou a escrever para os que gostam - vamos para o local do acidente com a carta amigável, vamos ter com ela ao corredor do hospital ver como estão os pais, chamamos os bombeiros para abrirem a porta, mas nada, nada nos impede de estar juntos, porque nada nem ninguém é mais importante, do que nós.


Às vezes as coisas mais acertadas saiem da boca (ou das mãos) de quem menos esperamos.

30/11/2007

[768] Disfunção Pública - Por Pedro Rolo Duarte

"Sobre o estado do Estado, no dia em que os funcionários públicos fazem mais uma greve, apetece-me dizer que:
1. A segunda via da Carta de Condução foi-me prometida, no prazo de um mês, a 19 de Outubro. Até hoje, raspas. Se fosse ao contrário, eu estaria a pagar uma multa. Tanto quanto sei, ninguém me devolve o que paguei pela segunda via deste cartão, nem há um só funcionário penalizado por esta falha.
2. O cartão de beneficiário da Segurança Social nem sequer o consegui requerer, porque está cancelada a sua produção. Tentei perceber porquê – mas a funcionária que me atendeu foi tão pouco simpática na tentativa de explicar (“já lhe disse que não estamos a emitir cartões, o que é que o senhor quer mais?”), que desisti. Ninguém será penalizado.
3. O cartão de utente do Serviço Nacional de Saúde foi-me prometido para daqui a, no mínimo, seis meses: “Os Serviços não avisam ninguém, vá passando pelo Centro de Saúde e pergunte...”. Ninguém tem culpa.
4. O senhor que me vendeu um livro de recibos verdes foi uma pedra de gelo com olhos. Tive medo de o incomodar com mais perguntas sobre o cartão de contribuinte, e vim embora. O seu vencimento não sofre alterações pela sua antipatia.
No decorrer das diligências para obter estes e outros documentos, observei situações de negligência, má educação e prepotência (comigo, mas especialmente com outros cidadãos, especialmente quando não de raça branca) dignas de processo disciplinar. Exemplo: “Se o senhor não sabe o nome da freguesia onde vive, o que é que está aqui a fazer?” – para um cidadão que acabara de mudar de residência...[...]
[...] Nunca se viram ao espelho? e o que pensam sobre o trabalho que executam? Acham que efectivamente merecem os aumentos que reclamam?
Como cidadão que frequenta os serviços do Estado, acho que não.
Ficamos assim por hoje. Divirtam-se na greve do costume. Boas festas"
(Bold meu)

Eu sei que está aqui quase todo o post mas não consegui apagar nada. Leiam na totalidade aqui.